Como criar crianças com uma dieta vegetariana?


Os hábitos alimentares da população vêm se modificando nos últimos anos, uma desses é a retirada do consumo de carne vermelha da alimentação. Segundo pesquisa do Ibope de 2018, em 102 municípios, cerca de 30 milhões de pessoas, ou 14% da população, são adeptas, em maior ou menor grau, a uma alimentação que exclui carne do cardápio.


É muito provável que os descendentes de toda essa gente sejam criados segundo os hábitos alimentares dos pais. Mas isso leva ao questionamento: será que essa é realmente uma dieta apropriada para quem está em plena fase de desenvolvimento?


Existem diversos motivos que podem levar a essa mudança na alimentação, como: bebês intolerantes a lactose, crianças que recusam carne desde a introdução alimentar ou, por volta dos 3 anos, não querem comer animais, adolescentes engajados e brilhantes ativistas ambientais; mães e pais que fazem a escolha consciente de oferecer uma alimentação baseada em plantas para seus fi­lhos. Independentemente do motivo, há milhares de famílias mudando os seus hábitos alimentares.



O que as entidades médicas dizem sobre?


É importante ressaltar que há segurança na alimentação vegetariana na infância. Tanto a Academy of Nutrition and Dietetics quanto a American Dietetic Association; Dietitians of Canada, reconhecem que a alimentação vegetariana é adequada em todas as fases da vida incluindo a infância, contanto que todos os cuidados alimentares e adequações nutricionais sejam realizados, como deve ser aconselhado para qualquer tipo de dieta.


Ainda afirmam que a dieta vegetariana pra crianças tem menor quantidade de colesterol, gordura saturada e gordura total, maior teor de fibras e antioxidantes, e o aporte proteico é facilmente atingido. Entretanto, por serem mais vulneráveis a desenvolver deficiência de nutrientes, devem ser adequadamente monitorados e muitas vezes suplementados, já que o risco é proporcional à menor variedade dos grupos alimentares consumidos.



Quais são os tipos de Vegetarianismo?


A pessoa que segue a dieta vegetariana pode ser classificada de acordo com o consumo de subprodutos animais (ovos e laticínios) em:

  • Ovolactovegetariano: utiliza ovos, leite e laticínios na alimentação;

  • Lactovegetariano: não utiliza ovos, mas faz uso de leite e laticínios;

  • Ovovegetariano: não utiliza laticínios, mas consome ovos;

  • Vegetariano: não utiliza nenhum derivado animal na sua alimentação;

  • Vegano: não utiliza qualquer alimento derivado de animal na sua alimentação, nem produtos ou roupas contendo estes alimentos, ou frequenta qualquer diversão que seja às custas de exposição animal (zoológicos, aquários).



Quais cuidados você precisar ter?


As dietas vegetarianas fornecem, em geral, menores quantidades energéticas e proporção de gorduras saturadas por refeição, além de maior teor de fibras, frutas e vegetais. Então, deve-se considerar também que quem adota esta dieta, em geral, também evita fumo, álcool, drogas e pratica atividade física regular.

Por outro lado, o não consumo de alimentos de origem animal e laticínios podem contribuir para menor ingestão de nutrientes importantes para a saúde do indivíduo. Os nutrientes abaixo nem sempre são ingeridos na medida por vegetarianos, então fique de olho!


1. Proteínas: são encontradas nas leguminosas, como lentilha, feijões, grão de bico e soja, além de cereais, nozes e sementes.

2. Ferro: é essencial para o cérebro, está presente também em leguminosas, folhas verde-escuras e outros vegetais, como a beterraba. Para aproveitá-lo melhor, combine com fontes de vitamina C, a exemplo da laranja.

3. Zinco: está nos cereais, grãos integrais, soja, feijões e lentilha, porém com biodisponibilidade menor devido à presença de fitatos e fibras.

4. Vitamina B12: sua falta pode causar um tipo de anemia, ameaçadora para o cérebro e o coração. A vitamina está em alimentos de origem animal. Logo, é preciso avaliar necessidade de suplementação.

5. Ômega-3: tem funções anti-inflamatórias e compõe o sistema nervoso. Não é tão abundante na dieta onívora, pois se come pouco peixe. No reino vegetal, é encontrado nas sementes de chia e linhaça.



É importante ressaltar que este período de vida, entre 10 e 19 anos, caracteriza-se por intenso crescimento físico e a nutrição do adolescente irá repercutir na vida adulta. Os distúrbios alimentares são frequentes nesta faixa etária, tanto em vegetarianos quanto em não vegetarianos. Por isso, é importante que as dietas sejam monitoradas cuidadosamente pelo pediatra para verificar se atendem às necessidades nutricionais e não oferecem riscos ao crescimento. A orientação de um nutrólogo e de um nutricionista pode auxiliar na composição dietética diária a fim de prover todos os nutrientes necessários para cada faixa etária.


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